Notícias

19-Nov-2019 17:14 - Atualizado em 19/11/2019 17:29
AVANÇO!

REPARAÇÃO HISTÓRICA EM ANDAMENTO! Pela primeira vez, negros são maioria nas universidades públicas

Graças às políticas dos governos dos trabalhadores, pode-se celebrar no Dia da Consciência Negra mais um avanço

2019, imprensa, Unilab
Formatura de turma do câmpus dos Malês da Unilab, em São Francisco do Conde, BahiaUnilab

O número de matrículas de estudantes negros e pardos nas universidades e faculdades públicas no Brasil ultrapassou, pela primeira vez, o de brancos. Em 2018, esse grupo passou a representar 50,3% dos estudantes do ensino superior da rede pública, segundo a pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, publicada no dia 13 de novembro pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“Essa constatação é de extrema importância, pois significa que é possível por meio de políticas públicas reparar os resultados nefastos da escravidão no Brasil e, assim, garantir à população negra uma vida digna e oportunidades iguais as da população branca”, observa o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região Paulo João Estausia, Paulinho, que é negro e concluiu o ensino superior em uma faculdade particular anos atrás.

Lei do PT

Os negros e pardos são maioria na população brasileira, representam 55,8% da população, e mesmo assim estão nos piores empregos, recebem os piores salários e têm os menores índices de estudo. Essa desigualdade gritante é resultado da escravidão no Brasil, que foi a mais terrível de todo o mundo, durou mais tempo e escravizou muito mais pessoas.

2019, imprensa, Ricardo Stuckert
Lula foi patrono de turma na UNILABRicardo Stuckert

Foi nos governos do Partido dos Trabalhadores iniciados em 2002, com a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que houve um aumento significativo de políticas públicas voltadas para essa parcela da população.

Os dados apresentados pelo IBGE são frutos da Lei 12.711/2012, conhecida como a Lei de Cotas. Sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, a lei reservou 50% das vagas em todos os cursos nas instituições federais de ensino superior levando em conta critérios sociorraciais. Entre 2013 e 2015, a política afirmativa de reserva de cotas já havia garantido a entrada de mais de 150 mil estudantes negros em instituições de ensino superior em todo o País. Com os anos, esse número foi aumentando.

Precisa melhorar ainda mais

O levantamento revela ainda que a população negra e parda está melhorando seus índices educacionais, tanto de acesso como permanência. O abandono escolar diminuiu de 30,8%, em 2016, para 28,8% em 2018. Entre a população preta ou parda de 18 a 24 anos que estudava, o percentual cursando ensino superior aumentou de 50,5%, em 2016, para 55,6% em 2018. Apesar do avanço, o percentual ficou bem abaixo do alcançado pelos brancos na mesma faixa etária, que é de 78,8%.

2019, imprensa, BEATRIZ MOTA
João da Silva cuja foto em um ato pela educação no Rio de Janeiro viralizou em maioBEATRIZ MOTA

Na avaliação do pesquisador Claudio Crespo, do IBGE, a melhora nos indicadores é relevante, mas como a desigualdade é histórica e estrutural, os avanços para a população preta ou parda só acontecem quando há mobilização social e políticas públicas direcionadas. "A intervenção de políticas públicas é um fator essencial para a redução dessa desigualdade. Onde há avanços percebidos, apesar da distâncias que ainda reside, são espaços em que houve intervenção de políticas públicas e também organização do movimento social para a conquista de uma sociedade mais igualitária, como as cotas para acesso ao nível superior", afirmou à agência Brasil.

Para a mestra em Direito Winnie Bueno, integrante da Rede de Ciberativistas Negras, o avanço do número de matrículas de negros na universidade é importante, mas é preciso pensar também em políticas de permanência para que esses jovens concluam o Ensino Superior. "Há uma série de outros desdobramentos, por políticas de permanência que não são aplicadas. É preciso olhar para esse dado com profundidade ou se chegará à conclusão que alcançamos o objetivo da política de cotas e que está tudo bem. E está bem longe de estar tudo bem", afirma Bueno.

 

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

No dia 20 de novembro celebra-se no Brasil o DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, um momento de reflexão sobre a escravidão e suas consequências, de fomento da cultura afro e de luta pelos direitos da população negra. A data foi instituída pela Lei 12.519/2011 e faz referência à morte de Zumbi, o líder do Quilombo dos Palmares, que foi morto por lutar contra a escravidão de seu povo.

 

Leia mais: https://bit.ly/330ytDb

Fabiana Caramez, com informações de El País Brasil e PT Nacional
Deixe seu Recado