Notícias

10-Set-2018 13:57 - Atualizado em 10/09/2018 15:52
FIQUE DE OLHO!

Política de preços da Petrobras continua penalizando o bolso do trabalhador

Com o reajuste no preço da gasolina nesta quarta (5), a gasolina aumentou 69% nas refinarias da Petrobras enquanto a inflação do período acumulou 4,8%, segundo o Dieese

2018, imprensa,
2018

A política do ilegítimo e golpista Michel Temer (MDB-SP) de reajustar os preços dos combustíveis quase diariamente continua pesando no orçamento do povo brasileiro. Cinco dias após o último aumento no preço da gasolina, a Petrobras subiu novamente o valor, nesta quarta-feira (5), e o combustível ficou 1,68% mais caro. O preço da gasolina nas refinarias passou de R$ 1,1704 para R$ 2,2069.

É o valor mais alto cobrado pelo preço do litro da gasolina desde que a direção da Petrobras, comandada pelo então presidente Pedro Parente – nomeado por Temer após o golpe de 2016 -, mudou a política de preços e passou a acompanhar as variações cambiais e as oscilações do barril de petróleo no mercado externo.

De julho de 2017 até hoje, a gasolina aumentou 69% nas refinarias da Petrobras enquanto a inflação do período acumulou 4,8%, segundo dados da subseção do Dieese da Federação Única dos Petroleiros (FUP). A variação do preço do diesel no mesmo período foi de 54%.

Na última sexta-feira, após três meses de congelamento devido ao acordo do governo que pôs fim à greve dos caminhoneiros e que envolveu subsídio governamental ao diesel, a Petrobras anunciou também o aumento de 13% no preço médio do produto comercializado nas refinarias do país.

“Esse será o cenário enquanto essa política equivocada continuar a ditar os preços da gasolina, diesel, gás de cozinha e demais combustíveis. O impacto no bolso dos brasileiros é muito grande”, diz o coordenador-geral da FUP, Simão Zainardi.

O preço médio da gasolina nas bombas terminou a semana passada a R$ 4,446, segundo pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP). Em algumas regiões do País, porém, o valor extrapola os R$ 5 reais. É o caso da cidade de Vassouras, no Rio de Janeiro, e do Rio Branco, no Acre, onde foram registrados valores que ultrapassam a média nacional – R$ 5,24 e R$ 5,15, respectivamente.

 

Política de preços da Petrobras

Segundo o coordenador-geral da FUP, Simão Zainardi, essa “calamidade com o bolso dos brasileiros” começou após o golpe de 2016 que levou Michel Temer ao poder e tirou da Petrobras a responsabilidade pelo abastecimento dos combustíveis a nível nacional.

“Foi então que deram início à diminuição do papel do Estado, com incentivos para atrair as indústrias estrangeiras de petróleo para o Brasil e privatizar o setor de refino, entregando nossas riquezas”, denuncia o dirigente.

“Em julho do ano passado, ficou ainda mais claro esse movimento com a mudança oficial na política de preços e a queda drástica da carga processada em nossas refinarias com o aumento da importação”, conta.

Em 2017, foram importados mais de 200 milhões de barris de derivados de petróleo, número recorde da série histórica da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Em contrapartida, as refinarias da Petrobras passaram a operar com capacidade inferior a 73%. Em 2014, antes da crise política instalada no país, as refinarias estavam operando com 94% da sua capacidade.

“A maioria dessas importações, que chegaram a alcançar 800 mil barris de gasolina e 700 mil de diesel no mês de maio deste ano, veio da Shell, empresa petrolífera dos Estados Unidos, altamente interessada no nosso petróleo e na política de preços atrelada ao mercado externo”, denuncia Simão.

Já nos governos Lula e Dilma, diz o coordenador da FUP, a lógica era inversa. “As nossas refinarias estavam com a produção em alta, com condições de suprir o mercado interno e praticar preços acessíveis à população, pois era respeitado o valor da produção nacional”, diz.

“Agora, se der um probleminha na política externa, como foi o caso da guerra da Síria e a briga entre EUA e Irã, o brasileiro é quem vai pagar a conta nas bombas de combustíveis e no gás de cozinha. Imagina se o barril bate U$ 100. Isso é um absurdo”, diz o dirigente, lembrando que o barril de petróleo passou de U$ 40 em 2017 para quase U$ 80 em 2018.

“O povo vai precisar escolher nas eleições de outubro deste ano se prefere manter essa política e pagar caro pelos combustíveis ou se quer de volta os preços acessíveis”.

Com informações de Tatiana Melim/CUT Brasil
Deixe seu Recado