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15-Mai-2020 13:05
ATITUDE

Paralisação dos ônibus contribuiu para conter o aumento de casos de Covid-19

Paulinho: “Categoria foi muito criticada, mas temos certeza que salvamos vidas!”

2020, imprensa,
2020

Desde o final de março, quando ocorreu o agravamento do quadro de propagação do novo coronavírus no Brasil, os trabalhadores e trabalhadoras em transportes na região de Sorocaba iniciaram uma longa luta para seguir as recomendações das autoridades mundiais de saúde, que têm no isolamento social o único remédio para conter a transmissão em massa do novo vírus.

Diante da omissão dos poderes públicos locais e estadual, que não apresentavam um plano para o transporte, a categoria decidiu por iniciar paralisações com o objetivo de reduzir a circulação de pessoas nos municípios e se proteger da contaminação.

Em 23 de março aconteceu a paralisação geral dos transportes urbano, intermunicipal e rodoviário em 42 municípios, de Araçariguama a Itararé. No decorrer de abril, os trabalhadores(as) realizaram outras diversas paralisações por segurança no trabalho e defesa de empregos, direitos e salários ameaçados pela pandemia e pela fraca iniciativa do governo federal em proteger a classe trabalhadora.

“A categoria foi muito criticada por realizar diversas paralisações nos últimos meses, mas temos certeza que salvamos vidas e isso é muito gratificante para nós!”, avalia Paulo João Estausia, presidente do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região.

O reconhecimento de que as greves da categoria ajudaram a conter a transmissão em massa do novo coronavírus veio do gestor da Irmandade Santa Casa de Sorocaba, padre Flávio Jorge Miguel Júnior, responsável por gerenciar o hospital de referência em atendimento e tratamento da população contaminada pelo novo coronavírus. Em entrevistas à imprensa local, padre Flávio citou as paralisações constantes no transporte público nos últimos 40 dias como um dos fatores que contribuiu para Sorocaba ter um baixo número de infectados e de mortos.

 

Ações práticas

 

O movimento dos trabalhadores(as) fez as prefeituras locais agirem para adequar o serviço de transporte ao momento de pandemia. O Sindicato dos Rodoviários colaborou na formulação dos planos de emergência, que determinaram a redução das frotas de ônibus em circulação, os atendimentos prioritários e a ampliação da limpeza no interior dos carros e nos terminais. O que resultou em mais proteção à população e à própria categoria.

As paralisações também fizeram as empresas do ramo adequarem as condições de trabalho com a adoção de álcool gel e máscaras para os trabalhadores, mesmo antes do decreto estadual exigir o uso desse equipamento de proteção. Ponto essencial para o Sindicato dos Rodoviários, visto que os trabalhadores(as) em transportes estão no topo das profissões com maior risco de contaminação pelo novo coronavírus, segundo estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em relação aos direitos trabalhistas, Sindicato e categoria barraram as demissões em massa que as empresas queriam fazer e asseguraram a manutenção de empregos, direitos e salários. “As empresas estão aderindo à Medida Provisória 936, que reduz jornada e salário, e nós garantimos a complementação salarial na maioria dos casos. Ainda estamos em negociação com muitas empresas”, explica Paulo João.

“Avalio que cumprimos um papel importante nessa luta contra a Covid-19, ajudamos a impedir a rápida proliferação do vírus e a evitar o colapso do sistema de saúde neste último mês.  A felicidade por esse resultado só é abalada porque, lamentavelmente, as pessoas ainda não se conscientizaram da gravidade da situação e voltaram a circular pelas ruas, o que poderá nos levar a um quadro muito difícil e à perda de muitas vidas nos próximos dias”, finaliza Paulo João.

Fabiana Caramez
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