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30-Ago-2018 14:38
RETOMADA?

Emprego sem carteira e autônomo garantem 'recuperação' do mercado

Redução de desemprego noticiada pelos meios de comunicação é questionável, pois dos 983 mil ocupados a mais em relação ao último ano 368 mil são sem carteira no setor privado, 203 mil no setor doméstico e 483 mil por conta própria

2018, imprensa, VALTER CAMPANATO/ABR
Trabalhadores em emprego informalVALTER CAMPANATO/ABR

São Paulo – A taxa média de desemprego no país ficou em 12,3% no trimestre encerrado em julho, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, divulgada nesta quinta-feira (30). O número de desempregados foi estimado em 12,868 milhões, 545 mil a menos em três meses e 458 mil a menos em um ano. Mas os dados mostram que essa melhoria ainda se deve, basicamente, ao trabalho informal e autônomo.

"A cada dia fica mais evidente a grande mentira contata pelos apoiadores da 'reforma' trabalhista e da terceirização da atividade-fim. A redução de direitos trabalhistas não resultou em ampliação de emprego. A verdade é cruel, o que temos no Brasil hoje é um número alarmante de desempregados e de pessoas trabalhando em subempregos, sem carteira assinada", avalia Paulo João Estausia, Paulinho, presidente do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região.

Em relação a igual período do ano passado, o mercado de trabalho tem 983 mil ocupados a mais, para um total estimado em 91,661 milhões. Mas o total de empregados no setor privado com carteira cai em 359 mil (-1,1%), enquanto os sem carteira crescem em 368 mil (3,4%). 

Ainda segundo a Pnad, também cresce o emprego sem carteira entre trabalhadores domésticos, com mais 203 mil, alta de 4,8%. Também registram alta os sem carteira do setor público (100 mil, 4,2%) e os trabalhadores por conta própria (483 mil, 2,1%).

A própria redução da taxa de desemprego para 12,3% é uma boa notícia apenas até certo ponto, porque há uma tendência de queda neste período do ano. Era de 12,8% em julho de 2017. Mas a atual é maior do que a registrada em 2016 (11,6%). O melhor resultado é o de 2014: 6,9%.

"O número de desempregados em 2014 evidencia que os articuladores do golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff são os grandes culpados pelo atual número de desempregados e subempregados!", analisa Paulinho.

A chamada taxa de subutilização, que inclui pessoas que gostariam de trabalhar mais, foi de 24,5%, estável em relação a abril e maior do que em julho de 2017 (23,9%).  Esse contingente foi estimado em 27,6 milhões, crescimento de 3,4% em 12 meses, com mais 913 mil pessoas. 

Já os desalentados, pessoas que desistiram de procurar trabalho, somaram 4,818 milhões, número também estável ante o trimestre imediatamente anterior. Na comparação anual, cresceram 17,8%. Há um ano, eram 4,090 milhões.

Os dados são melhores se a comparação for entre abril e julho, quando há algum crescimento do emprego formal. 

Estimado em R$ 2.205, o rendimento médio registrou estabilidade nas duas bases de comparação. O mesmo aconteceu com a massa de rendimento, calculada em R$ 197,2 bilhões.

Com informações de Redação RBA
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