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12-Mar-2020 16:59
SAÚDE

Centrais sindicais cobram do governo ações de proteção aos trabalhadores contra o Coronavírus

CUT e centrais defendem fortalecimento da rede pública de saúde, que o Congresso suspenda tramitação de medidas que retiram direitos dos trabalhadores e a abertura de diálogo para definição de medidas emergenciais para o enfrentamento da crise

2020, imprensa,
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou ontem, dia 11, que o coronavírus é uma pandemia global, ou seja, que o coronavírus é uma doença infecciosa que ameaça muitas pessoas ao redor do mundo simultaneamente. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, assinalou que a organização está preocupada com os níveis alarmantes de propagação do vírus e com a falta de ação dos governos. “Temos pedido todos os dias que os países tomem medidas urgentes e agressivas. Demos o sinal de alarme alto e claro.”

No Brasil, o número de pessoas infectadas pelo coronavírus aumentou expressivamente nos últimos dias e, segundo especialistas em infectologia, a perspectiva é que ocorra um surto grande da doença nas próximas semanas e meses.

Autoridades governamentais, que antes estavam negando preocupação com o avanço do vírus no país, mudaram o discurso e passaram a fazer declarações sobre a necessidade de a população e os governos se prepararem para enfrentar uma propagação rápida do coronavírus.

Diante dessa situação, as centrais sindicais brasileiras, reunidas nesta quinta-feira, 12, cobraram do governo Jair Bolsonaro e do Congresso Nacional a adoção de medidas emergenciais e a abertura de diálogo com as entidades para a elaboração de medidas que protejam os trabalhadores(as), os empregos e a renda e definam ações específicas para os trabalhadores(as) da saúde, educação e transporte público, que estão mais expostos ao contágio.

Confira a íntegra da nota oficial das centrais sindicais brasileiras:

As Centrais Sindicais reunidas nesta quinta-feira, 12/03/2020, em São Paulo para discutir a declaração de pandemia global pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em decorrência do novo coronavirus se coloca na defesa de ações coletivas de prevenção à propagação do vírus e seus impactos sociais e econômico.

As entidades entendem que esse momento demanda do Estado brasileiro, em seus três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), a compreensão de sua excepcionalidade e a importância da ampla concentração das ações em medidas emergências para o enfrentamento da crise.

Ao mesmo tempo, as Centrais reivindicam a suspensão das discussões de medidas que atacam os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras no Congresso Nacional, como por exemplo, a MP 905/2019, a Carteira Verde e amarela. Nesse sentido, propomos um amplo diálogo com a sociedade e com o Congresso Nacional para definir as medidas necessárias para conter a crise do coronavírus e a crise econômica.

As Centrais Sindicais também reafirmam que é fundamental a abertura do debate para elaborar medidas emergenciais para a proteção de todos os trabalhadores e trabalhadoras, formais e informais, e de seus empregos e renda, no período que a pandemia estiver decretada, além de medidas específicas para os trabalhadores e trabalhadoras da saúde, educação e transporte público que estão mais expostos ao contágio.

As entidades reforçam a relevância do fortalecimento da saúde pública, dos serviços públicos e de seus trabalhadores e trabalhadoras, considerando que nessa crise é fundamental para a mitigação dos riscos e o controle da doença, que ameaça se ampliar em nosso país. Esse fortalecimento é fundamental para a proteção individual e coletiva e para a efetivação da tarefa social dos serviços públicos.

As Centrais Sindicais se mantêm em avaliação permanente, com uma reunião agendada na próxima segunda, as 10h, na sede do DIEESE, para discutir a crise sanitária e econômica em curso no país e para tomar as decisões que se fizerem necessárias nesse momento. As Centrais reforçam a importância das mobilizações da classe trabalhadora.

 

CUT - Central Única dos Trabalhadores

FS - Força Sindical

CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

NCST - Nova Central Sindical dos Trabalhadores

UGT - União Geral dos Trabalhadores

CGTB - Central Geral dos Trabalhadores do Brasil

CSB - Central dos Sindicatos Brasileiros

CSP – Conlutas - Central Sindical e Popular - Conlutas

Intersindical – Central da Classe Trabalhadora

 

Fabiana Caramez
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